- O que é: comitê do Banco Central que define a meta da Selic em oito reuniões ordinárias por ano.
- Como decide: avalia cenário, projeções e riscos e vota por maioria simples.
- Meta vigente: 13,75% ao ano, definida em 16/09/2026 e válida desde 17/09/2026.
- Como acompanhar: comunicado a partir das 18h30 e ata na terça-feira seguinte, às 8h.
- Próximas reuniões: 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro de 2026.
As reuniões do Copom definem a meta da Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, e voltam ao noticiário oito vezes por ano.
Mas o que acontece dentro das reuniões do Copom? O comitê segue um regulamento, olha projeções de inflação e registra tudo em comunicado e ata.
Este guia usa documentos do Banco Central para explicar como a decisão é tomada e como acompanhá-la, da data da reunião até a ata. O texto ensina a ler a decisão e não prevê o próximo resultado.

O que o Copom faz e como a inflação entra na conta
O Comitê de Política Monetária (Copom) é o órgão do Banco Central formado pelo presidente e pelos diretores da instituição. A cada reunião, ele define a meta para a taxa Selic com base no cenário e nos riscos. O objetivo é manter a inflação em linha com a meta, segundo o Relatório de Política Monetária de setembro de 2026.
A meta de inflação vem de outro lugar. Quem fixa o número e a tolerância é o Conselho Monetário Nacional (CMN), e o Banco Central executa as políticas para cumpri-la. Em 24/10/2026, a meta é de 3,00%, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A tolerância é de 1,50 ponto percentual para mais ou para menos (Resolução CMN nº 5.141, de 26/06/2024, citada no relatório).
Como a meta de inflação orienta as reuniões do Copom
Desde janeiro de 2025, a meta é contínua: vale para a inflação acumulada em doze meses, apurada mês a mês. De 1999 a 2024, valia para o ano-calendário. Se a inflação ficar fora do intervalo por seis meses consecutivos, o Banco Central publica uma nota no relatório. Ele também envia uma carta aberta ao ministro da Fazenda (mesmo relatório).
Para fixar a ideia, pense na Selic como o ajuste de um termostato: o Copom mexe nele para esquentar ou esfriar a economia e levar a inflação à meta. A comparação é só didática, pois o mecanismo real tem defasagens e incertezas. Para rever os conceitos, veja o guia sobre o que é a taxa Selic e o texto sobre o que é o IPCA.
Como funcionam as reuniões do Copom, sessão por sessão
Pelo regulamento do comitê, a Resolução BCB nº 61, de 13/01/2021, as reuniões ordinárias acontecem oito vezes por ano. O presidente do Banco Central também pode convocar reuniões extraordinárias. Cada reunião ordinária tem duas sessões: uma com apresentações técnicas sobre a conjuntura e outra com a decisão da meta.
A tabela resume o que o regulamento diz sobre quórum, votação e vigência da meta nas reuniões do Copom.
| Etapa | O que o regulamento prevê | Artigo |
|---|---|---|
| Primeira sessão | Apresentações técnicas sobre a conjuntura econômica | 5º |
| Segunda sessão | Decisão sobre a meta da Selic | 5º |
| Quórum | Presidente, ou substituto, e metade dos diretores | 4º |
| Votação | Maioria simples, votos orais e voto de qualidade do presidente | 6º |
| Vigência da meta | Dia útil seguinte ao término da reunião | 1º, §2º |
Fonte: Resolução BCB nº 61, de 13/01/2021 (DOU de 14/01/2021), em cópia do texto consultada em 24/10/2026.
Como o Copom decide a Selic: cenário, riscos e projeções
A decisão não nasce de um dado isolado. As atas de janeiro e de setembro de 2026 seguem o mesmo roteiro, em quatro partes. Na ata da 281ª reunião, de 15 e 16/09/2026, elas são: conjuntura e cenário, riscos, condução da política monetária e decisão.
As projeções partem de um cenário de referência: a Selic segue a pesquisa Focus, e o câmbio evolui pela paridade do poder de compra, segundo o relatório de setembro. O foco é o horizonte relevante, que em setembro era o primeiro trimestre de 2028.
A própria ata traz uma tabela de projeções. Veja o que o comitê projetou em setembro, como cenário de referência e não como promessa:
| Período | IPCA projetado (acumulado em quatro trimestres) | Fonte e data |
|---|---|---|
| 2026 | 5,2% | Ata da 281ª reunião, 16/09/2026 |
| 2027 | 3,9% | Ata da 281ª reunião, 16/09/2026 |
| 1º trimestre de 2028 | 3,2% | Ata da 281ª reunião, 16/09/2026 |
Na parte final, a ata registra quem votou. Em setembro, sete membros aparecem como votantes, e o documento não registra voto divergente.
Calendário das reuniões do Copom até o fim de 2026
O Banco Central divulgou o calendário das oito reuniões ordinárias de 2026 em 24/06/2025, no Comunicado nº 43.383. Restam duas reuniões do Copom: 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro. Confira a página do Copom antes de marcar a agenda, pois o presidente pode convocar reunião extraordinária.
| Reunião | Comunicado com a decisão (a partir das 18h30) | Ata (terça-feira seguinte, às 8h) |
|---|---|---|
| 3 e 4 de novembro | 4/11/2026 (quarta-feira) | 10/11/2026 |
| 8 e 9 de dezembro | 9/12/2026 (quarta-feira) | 15/12/2026 |
Fonte: Comunicado nº 43.383 (24/06/2025), art. 7º da Resolução BCB nº 61 e regra da ata na terça-feira seguinte. As datas de comunicado e de ata foram calculadas a partir dessas regras.
O Relatório de Política Monetária é trimestral e sai até o último dia de cada trimestre civil, portanto a próxima edição deve chegar até 31/12/2026.
Como acompanhar as reuniões do Copom, do comunicado à ata
- Marque a segunda sessão: ela é o dia da decisão. Anote a data e confira a página do Copom antes.
- Abra o comunicado a partir das 18h30: ele traz a meta da Selic e identifica o voto de cada membro (Resolução BCB nº 61, art. 7º).
- Veja quando a meta passa a valer: a regra é o dia útil seguinte ao fim da reunião.
- Leia a ata na terça-feira seguinte: o regulamento fixa até quatro dias úteis, e o calendário do Banco Central indica as 8h. Ela traz a decisão, o registro nominal dos votos e o sumário das discussões (art. 8º).
- Compare com a meta de inflação: na ata, olhe as projeções e o balanço de riscos e confronte com o intervalo de tolerância.
- Aprofunde no relatório trimestral: o Relatório de Política Monetária detalha projeções, riscos e a condução da política.
Erros comuns ao acompanhar as reuniões do Copom
- Confundir a meta da Selic com a taxa do seu contrato: cada instituição define a taxa de cada produto, então consulte o contrato e o custo efetivo total. Para produtos ligados ao CDI, veja o guia sobre o que é o CDI.
- Ficar só na manchete: a manchete resume a meta, mas o comunicado e a ata mostram votos, projeções e riscos.
- Tratar a decisão como promessa: na ata de 27 e 28/01/2026, o comitê manteve a Selic em 15,00% ao ano. Ele sinalizou o início de um ciclo de redução na reunião seguinte, se o cenário esperado se confirmasse.
- Ignorar a votação: o comunicado identifica o voto de cada membro, e a ata registra os votos nominalmente.
Com o calendário à mão e o hábito de abrir o comunicado e a ata, você lê as reuniões do Copom direto na fonte.

Veja também: A batalha entre Selic e inflação
Perguntas Frequentes
Quando acontece a próxima das reuniões do Copom?
Pelo calendário divulgado em 24/06/2025, a próxima reunião ordinária é a de 3 e 4 de novembro de 2026. A decisão sai no comunicado de 4/11, a partir das 18h30. Confira a página do Copom, porque o presidente pode convocar reunião extraordinária.
Quem faz parte do Copom?
O regulamento diz que os membros são o presidente e os diretores do Banco Central. Na ata de setembro de 2026, sete membros constam como votantes.
A Selic é a mesma coisa que a meta de inflação?
Não. A Selic é a taxa básica de juros, cuja meta o Copom define. A meta de inflação, de 3,00% com tolerância de 1,50 ponto percentual em 24/10/2026, é fixada pelo CMN.
Onde leio a ata do Copom?
No site do Banco Central, na terça-feira seguinte à reunião, conforme o calendário. Como exemplo de formato, abra a ata da 276ª reunião, de janeiro de 2026.
O Copom pode se reunir fora do calendário?
Sim. O regulamento prevê reuniões extraordinárias, por convocação do presidente do Banco Central, além das oito reuniões do Copom previstas no calendário anual.
- Banco Central do Brasil, Ata da 281ª Reunião do Copom (acesso em 24/10/2026)
- Banco Central do Brasil, Ata da 276ª Reunião do Copom (acesso em 24/10/2026)
- Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, setembro de 2026 (acesso em 24/10/2026)
- Legismap, Resolução BCB nº 61, de 13/01/2021, com referência ao DOU de 14/01/2021 (acesso em 24/10/2026)
- Okai, BC publica calendário de reuniões do Copom em 2026, reprodução do aviso do Banco Central de 24/06/2025 (acesso em 24/10/2026)
Aviso: este conteúdo tem fim educacional e informativo. Não é recomendação de investimento, consultoria nem análise de valores mobiliários, e não considera a sua situação, seus objetivos nem a sua tolerância a risco. Taxas, prazos e regras mudam: os dados foram pesquisados nas fontes indicadas, na data informada no início. Consulte um profissional habilitado antes de decidir. As imagens ilustrativas, quando criadas por inteligência artificial, não mostram instituições, produtos ou pessoas reais.




