Dados até 27 de outubro de 2026, 11h09 (Brasília).
Em resumo
- Fato: ativos problemáticos das famílias estão no maior nível desde 2012 na maioria das modalidades; o BC estuda medidas para o crédito de maior risco.
- Causa: segundo o BC, a inadimplência foi o principal fator, e a digitalização ampliou a exposição de consumidores de menor renda a ofertas de crédito.
- Para o leitor: três resoluções aprovadas em 23 de outubro começam a valer em 31 de março e 1º de julho de 2027. As medidas novas ainda não têm detalhes públicos localizados.
O que o BC disse hoje sobre crédito de maior risco?
Os ativos problemáticos no crédito às famílias estão no maior nível desde 2012 na maioria das modalidades. O dado consta do Relatório de Estabilidade Financeira do BC, divulgado nesta terça-feira (27), que também diz estudar medidas para o crédito de maior risco.
Ativos problemáticos é o termo que o BC usa para dívidas com problema de pagamento. O BC afirma que não há risco relevante para a estabilidade financeira e que o sistema segue com capital e liquidez confortáveis.
O BC diz que a inadimplência foi o principal fator da alta. Ela teria subido mesmo sem a mudança de 2025 nas regras de baixa a prejuízo, que é quando o banco tira a dívida do balanço.
Pelo cálculo do BC, a inadimplência bancária de junho seria 0,78 ponto percentual menor com as regras antigas. Isso equivale a cerca de 44% da alta de 1,76 ponto desde dezembro de 2024; o BC arredonda para 45%.
Por que o BC mira o crédito mais caro?
O comprometimento de renda, que mede a parcela da renda usada para pagar dívidas, é o mais alto em 21 anos. O impacto é maior entre os tomadores de menor renda.
Cartão de crédito e crédito não consignado, sem desconto em folha, pesam mais nos comprometimentos de renda altos, em todas as faixas de renda. Para cartão com juros, não consignado e veículos, o risco sobe principalmente a partir de 40% de comprometimento na contratação, segundo o BC.
Os cartões mantêm taxa de expansão elevada, e o BC vê sinais de maior propensão ao risco nessa modalidade. Pesquisa do BC indica que a digitalização ampliou a exposição de consumidores de menor renda a ofertas, o que contribui para o endividamento.
Nos trechos do relatório que li, não há lista de medidas macroprudenciais nem prazo. O Comitê de Estabilidade Financeira do BC diz que prepara medidas para mitigar os riscos das modalidades mais caras, sem listá-las.
A Folha noticiou em setembro que dirigentes do setor esperam mudança no Fator de Ponderação de Risco (FPR) do cartão e do empréstimo sem garantia. O FPR é o peso que define quanto capital o banco precisa reservar por operação; é expectativa de agentes, não decisão do BC.
Em 24 de setembro, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, defendeu limitar ofertas que considera predatórias: “é para ser limitada mesmo”.
O que o BC já aprovou e quando passa a valer?
Em 23 de outubro, o BC aprovou as Resoluções BCB 601, 602 e 603, sobre oferta e concessão de crédito. As três entram em vigor em 2027, segundo nota do BC.
| Resolução | O que muda | Vigência |
|---|---|---|
| BCB 602 | Mecanismo claro para o cliente bloquear ofertas ativas de crédito | 31 de março de 2027 |
| BCB 601 | Painel de Dívidas Consolidadas, com simulação de custos e alertas antes de novas contratações | 1º de julho de 2027 |
| BCB 603 | Oferta de crédito no Pix só com consentimento prévio e específico | 1º de julho de 2027 |
Para clientes em maior vulnerabilidade financeira, a Resolução 602 exige autorização prévia, específica e inequívoca. Nesses casos, a oferta só pode melhorar a situação do cliente, como renegociação, portabilidade ou migração para produto mais vantajoso, sem novos recursos.
O BC diz que as normas não restringem a iniciativa do cliente de buscar e contratar produtos. No Pix, a oferta de crédito depende de consentimento prévio e específico, com intervalo mínimo de 24 horas entre a habilitação e a primeira oferta.
Guia prático: o que acompanhar e onde checar
A obrigação de oferecer o bloqueio de ofertas só começa em 31 de março de 2027, e a do Painel de Dívidas, em 1º de julho de 2027. A íntegra do relatório está no site do BC (bcb.gov.br/publicacoes/ref), e o Atendimento ao Cidadão atende pelo telefone 145.
| Data | Evento | Fonte |
|---|---|---|
| 27 de outubro de 2026 | BC divulga o relatório do 1º semestre de 2026 | Banco Central |
| 31 de março de 2027 | Entra em vigor a Resolução BCB 602 | Nota do BC, via Correio Braziliense |
| 1º de julho de 2027 | Entram em vigor as Resoluções BCB 601 e 603 | Nota do BC, via Correio Braziliense |
| Sem data localizada | Medidas macroprudenciais para crédito de maior risco | Relatório do BC |
💡 Leitura recomendada: Cartões de crédito.
Aviso: este texto tem caráter informativo e não é recomendação de investimento, nem orientação jurídica ou tributária. Confirme as regras vigentes nos canais oficiais e, se necessário, consulte um profissional habilitado.
Fontes consultadas
- Relatório de Estabilidade Financeira, outubro de 2026 (Banco Central; cópia hospedada pelo Poder360): ativos problemáticos, inadimplência, comprometimento de renda, cartões e medidas em estudo
- Correio Braziliense (23/10/2026): nota do BC sobre as Resoluções 601, 602 e 603
- O Povo (23/10/2026): confirmação das regras e vigências
- Diário do Comércio, com Folhapress (24/09/2026): fala de Galípolo e expectativa sobre o FPR
Reportagem de referência: InfoMoney (Reuters).




